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"Adversários não são inimigos"

A minha Avó Antônia era torcedora do Botafogo, e dentro das suas limitações técnicas, julgava com certa sabedoria os resultados dos jogos que adorava assistir em sua cadeira de balanço. Eu ficava do lado dela, no sofá, achando graça em suas colocações, mas apreciava sua gentileza e maturidade.


Ela sempre proclama: “QUE VENÇA O MELHOR”, e torcia para aquele time que apresentasse o melhor desempenho, mesmo sabendo que o futebol é uma deliciosa caixinha de surpresas. Ela já chegou a renunciar a título porque em sua cabeça “excessivamente” justa, não considerava digno o campeonato de seu próprio clube do coração. Essa era a minha avó.


Eu, por essas e outras, sempre corri de competições. A lágrima do perdedor sempre me trazia excessivas reflexões, sendo eu o derrotado, sendo eu o vencedor. Sempre questionei pra que tanta competição nos jogos, trabalho, esportes, lazer, diversão e na vida de uma forma geral. Não quero dizer que eu não sei que este simulacro de mundo que vivemos foi feito para vencedores. Sobretudo, exerço a minha liderança, pelo meu próprio ponto de vista sobre sucesso, propósito e legado, para inspirar a abundância do ganha-ganha, o “fair play”, a ética da alma, a estética da forma e a lei natural da justiça.

Há poucos minutos, depois de um grande embate ideológico, recebi uma feliz mensagem de um divergente político. Como na imagem, ele diz, que fora a questão política, apreciava muito o meu trabalho artístico e que desejava meu sucesso. Entendi a sua mensagem como um pedido de desculpas que eu mesmo lhe devia, como um aperto de mãos respeitoso que adversários precisam dar.


Um aperto de mãos sincero vale tanto quanto um abraço, nos aproximando em sentido e sentimento, encurtando a distância entre dois corações. Por fim, concordamos em algo.


Respondi: “Grato pelo seu carinho e gentileza. Desculpe-me por quaisquer excessos e no fundo, tanto eu quanto você, queremos um Brasil melhor. Que vença o melhor.”


Quando Bolsonaro venceu as eleições no início da noite do dia 28 de outubro de 2018. Muitos, como eu, estavam tristes, magoados e desesperançosos. Eu cheguei a chorar, incrédulo e inconformado. E assim que recobrei a minha consciência, desejei profundamente que o Presidente Bolsonaro pudesse desempenhar seu melhor papel como chefe de estado da República Federativa do Brasil. Eu gostaria muito de ter mordido a minha língua…

Agora em 2022, continuo com este mesmo sentimento, apesar de torcer como nunca para um candidato específico, por seu histórico e reputação, arcando ainda com o peso e questionamento de suas falhas. Mas, de um jeito ou de outro, desejo que o futuro presidente ou presidenta do Brasil seja a sua própria melhor versão.


Desejo, como minha avó me ensinou: “QUE VENÇA O MELHOR”


No fim das contas, uma gestão pública ruim é um enorme problema para todos nós que dependemos da política institucional. E na política, como expressão da relação social em comunidade, cabe sempre a reflexão de que "Adversário não é inimigo" , onde “adversário” traz a ideia da diversidade, da diferença, e inimizade a ideia da negação da amizade; mas a amizade é a relação mais bela que existe entre humanos. Não tornar a divergência motivo de ódio e inimizade entre cores, posições e sabores é um exercício de Sabedoria.


Rubem Alves diria, "Quando tiver que escolher estar certo e ser gentil, seja gentil."


Plante Amor Colha O Bem, sempre.



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